Garimpeiro morto na tragédia de Nambuangongo deixa 18 orfãos e 4 viúvas.

Nem o verde das árvores que cercam a povoação toda de Cana-Cassala e o grito das aves conseguiram acalentar o ambiente de dor e luto que tomou conta da comunidade, onde, além das mulheres e crianças, os homens também choraram ao ver os seus companheiros de jornada partirem sem possibilidade de regresso com o deslizamento de terra que matou 29 pessoas e feriu outras dez, quando estas tentavam explorar ouro numa mina ilegal em Nambuagongo, província do Bengo

O sonho pela prosperidade, na busca pelo ouro, em Nambuangongo, terminou em tragédia, com dezenas de órfãs, viúvas e mães que, assoladas por sentimentos de dor, foram forçadas a enterrar os seus filhos, quando devia ser o contrário.

A situação se agrava ainda mais com a falta de apoio psicológico e assistência social para as famílias afectadas. A comunidade, devastada pela perda, clama por medidas que evitem novas tragédias e garantam a segurança na exploração aurífera.

Passo a passo, em aldeias, ruelas e em todos os cantos, nos últimos dias, em Nambuangongo, não se fala de outra coisa, senão da terra que cedeu e soterrou 29 jovens que tentavam encontrar ouro no subsolo daquela localidade, que atravessam diversas carências sociais.

Os choros, gritos, revolta e desmaios tomaram conta da população de Cana-Cassala, que não aceita a forma dolorosa como os seus partiram. A dor colectiva se transformou num clamor por mudanças, na esperança de que a exploração de recursos naturais ocorra com responsabilidade e respeito à vida humana.

Cana-Cassala, que até às 5 horas do último Sábado, 23, era uma terra esquecida, passou a ser manchete dos principais serviços de informação com a morte das 29 pessoas e dez feridos que tentavam explorar ouro numa mina ilegal daquela região adstrita ao município de Nambuangongo, província do Bengo.